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Homenagem a meu pai

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images-15HOMENAGEM AO MEU PAI

14 de julho, dia da “Queda Bastilha”, ou do “Leão da Fronteira”, time do coração de meu pai em Santana do Livramento e, para mim, simplesmente, o dia do aniversário de meu pai, Pedro Geraldo Escosteguy, que em 2016 completaria 100 anos.
Anos depois seria também a data de casamento de minha irmã Norma com Nilson, uma homenagem a nosso pai.

Tenho muitas lembranças boas de meu pai, um homem alegre, culto e irreverente, dedicado e apaixonado, entusiasta e sonhador em tudo o que fazia. Era médico, dos tempos em que pegar na mão e conversar ainda contava como terapia…
Os amigos chamavam-no carinhosamente de bruxo, porque tratava a todos, inclusive a mim, muitas vezes até pelo telefone e seus diagnósticos eram sempre certos e atentos.

Como poeta, não se contentava apenas em poetar, bem, e ser um dos fundadores do Grupo Quixote em Porto Alegre. Foi também um agitador cultural, promovendo vários festivais internacionais de poesia.
Ainda menina/adolescente, eu participava de ouvinte e, sem saber, ia sendo impregnada por esse vírus, o da promoção da cultura e sua importância.

Como pai, era um pai atento, à sua maneira.
Muito menos de trocar fraldas e muito mais de grandes conversas ao redor da mesa. Muito mais de estimular a criatividade do que cobrar boas notas.
Lembro que em pequena escrevia poesias que ele achava o máximo e chegamos a escrever juntos uma peça de teatro infantil que nunca pode ser encenada por excesso de participantes…kkk

Muito cedo comecei a pintar e creio que na mesma época ele começou seus trabalhos com artes plásticas.
Mais velho, com sua grande bagagem intelectual, ele foi mentor de muitos artistas e, junto com alguns deles, redigiu o manifesto da Nova Objetividade Brasileira, movimento que, em 1967 , foi um divisor de águas nas artes plásticas do Rio de Janeiro, em plena ditadura.
Personalidade forte, deixou um grande legado para as artes plásticas.
Em tempos difíceis conseguiu fazer grandes manifestos com poucas palavras e a percepção visual, quase panfletária.
Sua produção nas artes plásticas não foi das mais numerosas, mas , sem dúvida, de uma força e atualidade incríveis.

Como homem será sempre lembrado com seu sorriso irreverente entre o maroto e o ingênuo, uma piteira no canto da boca e um papo alegre, sonhador e criativo, sempre pronto para o abraço com que apagava até desafetos.

Saudades, pai. Até hoje não passo por um boné sem pensar em levar mais um para tua coleção…

Os homens que não sonham
às vezes sonham coisas boas
quando não sonham o crime e a morte.

Imaginem a cara dos homens
que não sonham
sabendo que sonhamos com a paz
sem símbolos fictícios
nem cachimbadas de traição
porque nos revoltam as estratégias
destruidoras
Que sonhamos cultura
como podem sonhar os que sonham
com amor
E que nem montanhas
de cruzeiros, de dólares ou de francos
poderiam comprar
o nosso mais humilde sonho
de liberdade
(Bilhete aos poetas, PGE – Poesia Quixote, 1956)

A PALAVRA E O DANÇARINO
http://www.pucrs.br/edipucrs/apalavraeodancarino.pdf

ADÁGIO
http://www.pucrs.br/edipucrs/adagio.pdf

CANTO À BEIRA DO TEMPO
http://www.pucrs.br/edipucrs/cantoabeiradotempo.pdf

ENTRE IMAGENS E CANÇÕES
http://www.pucrs.br/edipucrs/entreimagensecancoes.pdf

RELATÓRIO DA NOITE
http://www.pucrs.br/edipucrs/relatoriodanoite.pdf

Hoje , 14 de julho de 2016, minha irmã , Norma Escosteguy, e minha mãe , Marilia Escosteguy(96 anos), estão promovendo um simposio em comemoração aos 100 anos de meu pai com a participação de Soraya Bragança, autora de vários trabalhos sobre a obra poética e de artes visuais de Pedro Escosteguy.