Publicado em Brasil

Subindo o Morro da Babilônia, Primeira unidade pacificada

Visitar o morro da Babilônia no Leme, há muito também fazia parte dos meus projetos que o tempo e a oportunidade iam sempre postergando.
A parte histórica me diz que nos idos de 1915 havia apenas sítios e chácaras no alto do morro. Aos poucos os morros da Babilônia e do Chapéu do Leme, começaram a ser ocupados de baixo para cima de maneira bem precária na encosta do morro e com os problemas crescentes que todos conhecemos.
Em 2009 foi instalada a primeira unidade pacificadora e hoje essa comunidade vive em paz e já começa a se organizar e ganhar força. Atualmente a Babilônia e o Chapéu da Mangueira contam com cerca de 7.000 habitantes, sendo que 80% desse pessoal vive ali há mais de 20 anos.
Subindo o morro lentamente, não posso deixar de pensar nos perigos da Favela de que crescemos ouvindo falar. A calma do nosso guia e amigo, o português João Chaves que vive há 4 anos no Chapéu do Leme, em nada se parece com os filmes que estamos sempre vendo.
Tudo parece devidamente organizado dentro de um estilo de vida que, para mim, só exige um melhor preparo físico…urr . As pessoas transitam tranquilamente e os caminhos feitos depois da pacificação são ótimos. Pode se ver o desafio do saneamento básico resolvido por onde se passa. E a limpeza é bem razoável,com caçambas coletivas em lugares estratégicos para recolher o lixo.
Sem dúvida, o estilo de vida requer boas pernas e bons braços. Tudo sobe na mão a partir de determinados pontos onde as estradas acabam e só existem escadas, boas, largas e bem construídas, mas escadas… Não há como não encarar longas escadas, para qualquer lado.
Móveis, sacos de material de construção sobem no estilo medieval, ou seja, nas costas.
Mas na vida tudo é hábito e as pessoas vivem felizes nas suas casas e as crianças brincam na rua, longe dos computadores…
Na Babilônia, pelo menos, não se vêem casas mal construídas de madeira, que mal se equilibram na beirada do morro. Nem todas são bem acabadas, mas todas tem alicerces e tijolo.
Surpresa e alegria de ver que tudo pode melhorar. Uma questão de decisão e união.
Se tiver pernas para voltar daqui a mais alguns anos, certamente vou me deparar com uma Santa Tereza.
O número de Guesthouses é crescente e se populariza. Restaurantes se tornam famosos e atraem muitos turistas. O Bar do Alto e o Bar do David são dois exemplos que pude conhecer.
Os artistas descobrem esse reduto e, no meio do nada, nos deparamos com uma belíssima Galeria de Arte. Que surpresa incrível! Exposição de fotos de Pedro Lobo com curadoria de Miguel do Rio Branco!!! Vale a pena olhar o site e descobrir como se chega lá.
http://www.1500babilonia.com
Existem muitos outros projetos funcionando que não pude visitar dessa vez, mas que testam formas para melhorar a qualidade de vida desse núcleo habitacional ,como a “Favela Orgânica”de Regina Tchelly que certamente merece uma visita especial.
As pessoas já estão motivadas e encontramos várias hortinhas “suspensas nos Jardins da Babilônia”.
As Favelas pacificadas já são uma realidade e tema de estudo para antropólogos de outros mundos, como o americano Miguel Angelini que nos deu um pequeno depoimento.
Terminamos o passeio comendo maravilhosamente bem no Bar do David, que já virou uma lenda no bairro e atração turística. A costelinha do David é dos deuses!!!

Dividi em 2 videos, mas o primeiro não consegui recortar mais sem desvirtualizar…
Valeu, vou voltar enquanto minhas pernas aguentam…kkk.

Autor:

Visual artist and cultural activist

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s