Publicado em Vivências em Dublin e arredores

Um projeto criativo: “Coma lá em Casa”

Esse foi dos projetos mais difíceis e, ao mesmo tempo, prazeirosos para editar.

Amadureci muiiiito tempo…Gravei essa entrevista quando o casal nos visitou em fevereiro deste ano.

Acho o projeto bárbaro, admiro demais o casal, mas falar de filhos com isenção…é complicado.

Como tudo tem um “porém”, acho que o projeto em si supera as razões sentimentais e justifica, com sobra, documentar em vídeo o trabalho que esse jovem casal vem realizando.

Esdras Nogueira é músico, saxofonista.

Toca na Banda “Móveis Coloniais de Acajú”, que já conquistou um espaço no mercado brasileiro.

Esdras tem também um projeto solo . Acaba de gravar um cd com músicas de Hermeto Pascoal : O CAPIVARA.  E toca com inúmeros músicos em outros projetos.

Mariana é interprete, faz tradução simultânea do inglês e espanhol. Ah, sim, …é também minha filha.

Casados há quase 5 anos, agora, têm em comum o hobby da cozinha.

Foi um namoro que começou em torno de conversas gastronômicas e culminou com o primeiro presente de noivado. Ao invés do tradicional solitário…foi uma panela de fazer arroz elétrica.

Para mim também sempre foram mais importantes as ferramentas de trabalho…

Quando puderam, reformaram o apartamento e fizeram da cozinha a vedete da casa: a cozinha dos seus sonhos, o centro de interesse do seu dia a dia.

Ali recebem os velhos e novos amigos num ambiente alegre e cheio de aromas.

Não é muito grande, mas o suficiente para dividirem criatividade com a paixão pela cozinha.

O Coma lá em Casa já é um sucesso, razão de inúmeras reportagens , palestras e participação em projetos super interessantes.

Apesar de trabalharem muito nas suas profissões (Esdras viaja muito com a banda , a profissão de interprete é também bem exaustiva), encontram espaço para esse projeto conjunto.

O tempo livre usam integralmente para a cozinha. É a atividade a dois que cria uma cumplicidade infinita.

Sem uma formação de “CHEFES”, dedicam um esforço muito maior para superarem as dificuldades desse aprendizado, lendo e se informando a fundo com muita disciplina.

Como eles próprios dizem, são “verdadeiros nerds da cozinha”!

Fazem todos os cursos que aparecem, compram todos os livros, mas sem esquecer do PRAZER que é o condimento fundamental da relação a dois e também da gastronomia.

Paralelo ao “Coma lá em casa”, começaram o “Coma no Jardim” em que podem receber um número maior de pessoas, com um cardápio leve para ser apreciado em clima de picnic , enquanto a descontração abre portas para a amizade cheia de sabores . Uma parceria com o arquiteto e amigo que idealizou a cozinha deles e tem na sua casa um lindo jardim, Gustavo Goes e esposa.

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Subindo o Morro da Babilônia, Primeira unidade pacificada

Visitar o morro da Babilônia no Leme, há muito também fazia parte dos meus projetos que o tempo e a oportunidade iam sempre postergando.
A parte histórica me diz que nos idos de 1915 havia apenas sítios e chácaras no alto do morro. Aos poucos os morros da Babilônia e do Chapéu do Leme, começaram a ser ocupados de baixo para cima de maneira bem precária na encosta do morro e com os problemas crescentes que todos conhecemos.
Em 2009 foi instalada a primeira unidade pacificadora e hoje essa comunidade vive em paz e já começa a se organizar e ganhar força. Atualmente a Babilônia e o Chapéu da Mangueira contam com cerca de 7.000 habitantes, sendo que 80% desse pessoal vive ali há mais de 20 anos.
Subindo o morro lentamente, não posso deixar de pensar nos perigos da Favela de que crescemos ouvindo falar. A calma do nosso guia e amigo, o português João Chaves que vive há 4 anos no Chapéu do Leme, em nada se parece com os filmes que estamos sempre vendo.
Tudo parece devidamente organizado dentro de um estilo de vida que, para mim, só exige um melhor preparo físico…urr . As pessoas transitam tranquilamente e os caminhos feitos depois da pacificação são ótimos. Pode se ver o desafio do saneamento básico resolvido por onde se passa. E a limpeza é bem razoável,com caçambas coletivas em lugares estratégicos para recolher o lixo.
Sem dúvida, o estilo de vida requer boas pernas e bons braços. Tudo sobe na mão a partir de determinados pontos onde as estradas acabam e só existem escadas, boas, largas e bem construídas, mas escadas… Não há como não encarar longas escadas, para qualquer lado.
Móveis, sacos de material de construção sobem no estilo medieval, ou seja, nas costas.
Mas na vida tudo é hábito e as pessoas vivem felizes nas suas casas e as crianças brincam na rua, longe dos computadores…
Na Babilônia, pelo menos, não se vêem casas mal construídas de madeira, que mal se equilibram na beirada do morro. Nem todas são bem acabadas, mas todas tem alicerces e tijolo.
Surpresa e alegria de ver que tudo pode melhorar. Uma questão de decisão e união.
Se tiver pernas para voltar daqui a mais alguns anos, certamente vou me deparar com uma Santa Tereza.
O número de Guesthouses é crescente e se populariza. Restaurantes se tornam famosos e atraem muitos turistas. O Bar do Alto e o Bar do David são dois exemplos que pude conhecer.
Os artistas descobrem esse reduto e, no meio do nada, nos deparamos com uma belíssima Galeria de Arte. Que surpresa incrível! Exposição de fotos de Pedro Lobo com curadoria de Miguel do Rio Branco!!! Vale a pena olhar o site e descobrir como se chega lá.
http://www.1500babilonia.com
Existem muitos outros projetos funcionando que não pude visitar dessa vez, mas que testam formas para melhorar a qualidade de vida desse núcleo habitacional ,como a “Favela Orgânica”de Regina Tchelly que certamente merece uma visita especial.
As pessoas já estão motivadas e encontramos várias hortinhas “suspensas nos Jardins da Babilônia”.
As Favelas pacificadas já são uma realidade e tema de estudo para antropólogos de outros mundos, como o americano Miguel Angelini que nos deu um pequeno depoimento.
Terminamos o passeio comendo maravilhosamente bem no Bar do David, que já virou uma lenda no bairro e atração turística. A costelinha do David é dos deuses!!!

Dividi em 2 videos, mas o primeiro não consegui recortar mais sem desvirtualizar…
Valeu, vou voltar enquanto minhas pernas aguentam…kkk.

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Feira de São Cristovão – Brasil pé de Serra

Brasil Pé de Serra – Feira de São Cristovão

Nessa ultima fugida ao Rio de Janeiro matei vários desejos que cultivava e nunca conseguira encontrar o tempo de experimentar.
Dessa vez fui à Feira de São Cristovão no Rio de Janeiro.
Para quem não sabe é o reduto do Brasil nordestino no Rio de Janeiro.
Aí encontramos todos os produtos que matam a saudade dos nossos irmãos nordestinos. Rendas, bordados, comidas e tudo que se pode desejar desse pedaço importante de nossa terra e da gente. Adoro tudo!
A música, como em tudo no Brasil, está presente o tempo inteiro.
Vários palcos e pequenos cafés animam a feira com música e dança sem parar. Um show de autenticidade e descontração.
Me diverti e curti tudo. Uma lição de história e cultura popular.
É um Brasil ainda mais puro que aprecia suas comidas e libera seus sentimentos no embalo da música e das comidas típicas da sua memória. Aqui o que poderia ser fantasia vira pura realidade.
Agradeço a meus amigos Angela e Marcio que me acompanharam nessa descoberta..