Publicado em Café com Letras

Café com Letras 6a edição

“…e assim nasceu o Tropicalismo”, depoimento pessoal de Solange Escosteguy.

Um rápido apanhado das artes plásticas nos anos 60 com a Nova Objetividade Brasileira

…pois é, também fiquei feliz com o resultado da palestra. É muito difícil quando a gente tem que mostrar a cara, mas sou obrigada a concordar: afinal, já lá vai quase “meio século” de experiência, 45 anos, tá na hora de mexer nesse passado e falar um pouco de mim também.

Sou uma pessoa feliz com tudo o que vivi, de bom e de ruim, uma eterna aprendiz.

Claudia Madeira escreveu um lindo texto sobre o Café com Letras e não posso deixar de dividir com todos vocês. É claro que me orgulha a parte que me toca, mas ela soube pincelar com muitas cores o clima do Café: e esse só acontece com a maravilhosa química de todos que dele participam.

“Com aroma de arte

E eis que a Arte fez uma intervenção no Café com Letras e entre as imagens em Super-8 e o tom de voz envolvente de Solange Escosteguy, um grupo de cerca de 60/70 pessoas “viajou” pelas histórias e personagens que fizeram parte do Movimento Nova Objetividade Brasileira.

E a “viagem” teve início no Restaurante Caju, palco dos encontros do Café com Letras. Do telão foram surgindo rostos, como o de Rogério Duarte, Helio Oiticica, Pedro Escosteguy, Antonio Dias, ,Vergara, Roberto Magalhães, Ligia Pape, entre outros, e suas obras, feitos e efeitos. Enfim, num desfile de cores, imagens e sons, a rica experiência de vida da artista plástica Solange Escosteguy foi compartilhada.

É pau, é pedra, é o fim do caminho

Ops, apesar da deliciosa música de Tom Jobim ter sido escolhida como pano de fundo para abrir a trajetória pessoal de Solange, nada de fim de caminho…

Em pinceladas arteiras, Solange comentou sobre sua obra nos anos de 1970, em Brasília, de lá para Washington, em 1980, a fase lúdica em 2007….e eis que Tom Jobim deu passagem para Elis Regina, que cantou O Rancho da Goiabada…música escolhida para falar sobre a experiência de viver em Angola, e chegar a Toronto. Diversidades culturais…E pelos cantos – e lados, e frentes – do mundo, Solange foi fazendo arte, espalhando a sua Brasilidade, a sua Brasil-idade, a Brasil-Criatividade em exposições e eventos.

O movimento Nova Objetividade Brasileira, que teve por idealismo romper a barreira das galerias de arte e ganhar as ruas, as praças públicas, as bienais, e que de tão caleidoscopiamente reuniu o Teatro Oficina de José Celso, as obras de Oswaldo de Andrade, o cinema de Glauber Rocha, o Tropicalismo da música, nos trouxe também Solange.

Solange Escosteguy terminou sua palestra revelando que o Café com Letras é para ela um evento/encontro muito especial. “Conhecer cada um de vocês é um ato antropofágico”, comentou entre risos e abraços. Assim como para ela, cada brasileiro ali presente se despediu do evento levando consigo fragmentos de uma época que reuniu sim, muita repressão, mas muita, muita criatividade cultural.

Valeu Solange, cada gota de cor!”

Claudia Madeira

16 de fevereiro de 2012